quinta-feira, 12 de maio de 2016

Dia das mães é para refletir sobre a mulher e não apenas para aplaudir com flores o capitalismo


nem me disponho mais a falar o que eu penso sobre a hipocrisia nossa de cada dia comemorativo desse calendário consumista, sobre a maternidade eu nem preciso mais falar nada, ela é linda e azul com rosa, se a maioria das mulheres que tem filho antes de concluir seus estudos não forma em nenhum nível de ensino isso é o preço a se pagar, para as mulheres, se as empresas preferem homens porque não engravidam e não tiram licença ah cada um no seu lugar, se as nossas estatísticas mostram que no fundo desse quadro de como é belo ser mãe há um índice cada vez mais crescente de pessoas suicidas, depressivas, tristes, infelizes, loucas, psicopatas na nossa sociedade por problemas familiares, há mas toda família tem problemas isso é normal, se a maior parte das mães solteiras são curiosamente também filhas de mães solteiras isso é relativo só arrumar um homem bom que te ajuda a cuidar do filho do alheio que resolveu não cuidar, e por ai vai mais de mil reflexões as quais nem me indisponho a fazer mais em meio a um mundo que quer se convencer a todo custo que ser mãe é lindo e que toda mulher tem que achar isso seja qual for sua situação, ok fodam-se vocês, é lindo viu, tudo de bom, maravilhoso, emocionante e coisa e tal, só que é mentira, muito disso é mentira e lá no fundo sabemos bem, todavia é mais fácil, mais cômodo, mais lucrativo, usar o dia das mães para falar de flores e do que há de singelo na mãe ideal do que pra fazer uma reflexão mais a fundo, mais a luz da verdade, absolutamente nada contra o dia das mães, ganhei meu presentinho lindo e fofo e vou guardar com muito amor meus papéizinhos rabiscados com tinta guache e uma mãozinha fofinha simbolizando uma árvore, de verdade adorei, nenhum problema com a sociedade tirar um dia para declarar especial aquela que é mãe, mas muito triste com a forma com que conduzimos os processos, reflexão zero, buquê de flores que tape o buraco de uma reflexão que tanto precisamos ter e não temos, veremos aonde isso irá nos levar, que a minha filha absorva de forma diferente, que eu consiga conduzi-la sem traumas a essa reflexão tão precisa pra gente melhorar a humanidade.

domingo, 29 de junho de 2014

CONFLITOS AMBIENTAIS NA APLICABILIDADE DA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADAS


Tirado de Revista Ágora, Ano IX nº 18, P. 166–175, Cerro Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.


Thamyres Sabrina GONÇALVES - sabrina5thamy@yahoo.com.br

A globalização do espaço geográfico ocasionada pelo desenvolvimento tecnológico levou a maioria das civilizações do mundo a um modelo de organização social onde a relação holística entre homem e natureza a cada vez mais foi deixando de fazer parte da dinâmica natural da vida humana, de modo que o homem nem se sente parte da natureza e nem entende a natureza como parte de si (GONTIJO, 2003). Todavia, o mesmo processo que distanciou o homem da natureza o levou a necessidade de buscá-la como refúgio ao cotidiano cansativo e estressante da vida urbana. Mais ou menos nesse contexto, surgiu a ideia dos parques que hoje denominamos no campo da pesquisa como unidades de conservação (UCs). As primeiras UCs surgiram na Europa, nos Estados Unidos e Canadá (BULLOCK et al, 1995). Desse modo, não diferente de outras áreas como a economia, urbanização e integração espacial, o modelo de conservação brasileiro foi importado, de nações com dinâmicas territoriais, sociais e mesmo ambientais completamente distintas da realidade brasileira.

Assim surgiu uma legislação ambiental tradicionalmente considerada como muito boa ou bem embasada no campo jurisdicional, porém inaplicável em diversas situações, pois, os modelos de conservação da Europa com parques “intocáveis” entendidos na prática da lei brasileira como unidades de proteção integral, não atenderam as demandas socioambientais de um país com um grande numero de comunidades tradicionais em seu território que possuem sua reprodução social extremamente vinculada com o acesso ao território e utilização dos recursos naturais, o que vem acirrando os conflitos socioambientais no país de norte a sul.

A contribuição maior deste estudo foi concluir que a lei perde sua função social quando não possui aplicabilidade. Se compreendermos a lei como instrumento de aplicação social no sentido coercitivo, educativo ou punitivo e se ela não exerce esse papel na práxis jurídica não há que se falar em relevantes valores sociais da lei. Procurou o legislador estender essa tutela a todas as relações em que a vida pode desenvolver estabelecendo instrumentos de controle e sanções para os atos contrários as normas de proteção. Entretanto, as diretrizes legais se fazem no campo teórico, não há como estabelecer teoricamente a forma com que um ecossistema deverá se comportar ecologicamente após a recuperação daquela área que outrora tenha sido degradada e por outro lado não se justifica a proposta de que a conservação da biodiversidade só será possível sem a presença humana. Desse modo, em muitos casos ou a lei não se aplica ou não é aplicada de acordo com sua função social.


REFERÊNCIAS:
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domingo, 13 de abril de 2014



Artigos
No. 43 - 13/03/2013
COMÉRCIO INTERNACIONAL E MEIO AMBIENTE: O DEBATE AMBIENTAL NA GEOGRAFIA ECONOMICA MUNDIAL


Thamyres Sabrina GONÇALVES - sabrina5thamy@yahoo.com.br


RESUMO:

Este artigo analisa a temática ambiental dentro da agenda política internacional. São vários os processos, no entanto diferentes. O meio ambiente com a biopirataria, e o desmatamento entre outras problemáticas ambientais e o comercio internacional como via de cambio mundial. A geografia econômica nos permite dialogar ambos os temas como eixo político visando compreender o meio ambiente como mercadoria no comércio mundial incluindo principalmente a América do Sul. Enfatizando-se o Brasil e a África nas trocas comerciais com os Estados Unidos da América e a Europa. Onde o meio ambiente físico constitui-se em via de integração do comércio entre vários países. Sobretudo na circulação de mercadorias pela Amazônia brasileira em áreas de fronteiras. Percebe-se atualmente a necessidade de aprofundar a análise que identifica as interferências do meio ambiente na expansão do comércio internacional. O artigo será desenvolvido á partir das técnicas de pesquisa bibliográfica que abrangem: leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, mapas, imagens e documentos referentes ao assunto abordado na pesquisa.

Palavras Chave: Comércio Internacional, Geografia Econômica, Meio Ambiente.

INTRODUÇÃO.

Nas últimas décadas, o setor externo, gradativamente, ampliou sua importância para a elevação dos níveis de atividade econômica e melhoria dos indicadores de emprego e renda de alguns países. Entretanto, a intensificação da iniquidade social e da degradação dos recursos naturais, observada nesse mesmo período, vem sendo interpretada como reação sintomática dos limites físicos e morais do tradicional modelo de desenvolvimento capitalista. Já a partir da década de 1970, os esforços visando à formulação de um modelo de desenvolvimento que crie efeitos sinérgicos entre comércio internacional, sustentabilidade ambiental e justiça social romperam os limites do círculo acadêmico e entraram na pauta de discussão dos principais organismos internacionais de desenvolvimento econômico, dos Estados nacionais e da sociedade civil em geral. O intenso processo de globalização faz com que o comercio internacional seja cada vez mais dinâmico e intenso na atualidade, integrando e gerando um constante fluxo de trocas geoeconômicas entre as diversas nações do mundo. Nesse contexto modificam-se paralelamente no tempo e no espaço as relações de competitividade entre os países que trocam produtos com diferentes valores monetários nas comercializações internacionais. Desta forma o comercio internacional não deve ser analisado como sendo isolado de outros fatores tais como: os sistemas de transportes, os diferentes valores monetários internacionais das várias moedas utilizadas pelos países do globo, das atividades industriais desenvolvidas pelos países, da divisão internacional do trabalho e, sobretudo da infraestrutura existente em cada país que vem a ser fator determinante na capacidade de produção e escoamento de mercadorias, eficácia na maximização dos lucros e desenvoltura do setor de logística que é de extrema importância para o comercio internacional. A ação conjunta desses fatores atua de forma reguladora na balança comercial internacional de várias maneiras, seja através das ações estatais de incentivos fiscais e financeiros ou de alguma outra maneira o comercio internacional é constantemente regulado, submetido a ações de outros setores não somente econômicos. Conforme Gil (2002), as pesquisas podem ser classificadas em três grandes grupos: explicativas, descritivas e exploratórias. Assim, baseando-se nestes pressupostos metodológicos, o estudo aqui apresentado enquadra-se no grupo das pesquisas exploratórias descritivas, uma vez que objetiva fazer uma descrição analítica acerca da temática ambiental dentro da agenda política internacional. A inserção do debate ambiental na análise das relações comerciais mostra-se de extrema importância na busca do equilíbrio na utilização dos recursos naturais do planeta. A Organização das Nações Unidas (ONU) posiciona-se quanto ao objetivo de assegurar a sustentabilidade ambiental aos países com a seguinte meta: integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas dos países e inverter a perda de recursos ambientais. Definiu-se como objetivo geral analisar a temática ambiental dentro da agenda política internacional. Os objetivos específicos propostos foram descrever problemáticas que relacionam questões ambientais ao comércio internacional tais como: biopirataria, desmatamento, fronteiras, entre outras abordagens pertinentes. De acordo com (Magalhães, 2007) há uma estreita relação entre a crise mundial do meio ambiente e as desigualdades sociais entre os povos, o autor coloca ainda que a busca da sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento econômico e social são inseparáveis, sendo necessária uma forte mudança de comportamento político em relação à apropriação aos recursos naturais em todo o mundo. O artigo será desenvolvido á partir das técnicas de pesquisa bibliográfica que abrangem: leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, mapas, imagens e documentos referentes ao assunto abordado na pesquisa. Desse modo todo o material levantado foi submetido a uma seleção á partir da qual foi possível estabelecer um plano de leitura. Dentro da metodologia pré-estabelecida foi feita a leitura atenta e sistemática de cada um dos trabalhos com anotações e fichamentos que possibilitaram a construção do embasamento teórico acerca do tema pesquisado. Não é raro que a pesquisa bibliográfica apareça caracterizada como revisão de literatura ou revisão bibliográfica. Isto acontece porque falta compreensão de que a revisão de literatura é apenas um pré-requisito para a realização de toda e qualquer pesquisa, ao passo que a pesquisa bibliográfica implica em um conjunto ordenado de procedimentos de busca por soluções, atento ao objeto de estudo, e que, por isso, não pode ser aleatório (Lima & Mioto, 2007).



Meio ambiente e comércio na agenda internacional.

Na agenda política mundial as negociações multilaterais sobre o comercio internacional tem sido um grande tema no cenário atual quando o debate integra também a questão ambiental. A proteção do meio ambiente é uma tarefa tanto local quanto global. A separação entre economia e ecologia, portanto, é uma miopia. Ao contrário, a economia deveria subordinar-se à ecologia, que, como ciência dos ecossistemas, estuda a base física na qual qualquer tipo de economia pode estruturar-se (Alier e Schlupmann, 1991). Apesar da destruição intensa dos recursos naturais e dos ecossistemas, avanços têm ocorrido na adoção de uma abordagem global para um manejo ambiental seguro da biodiversidade do planeta. Um dos marcos desse progresso na atualidade foi o Encontro da Terra, realizado em 1992 no Rio de Janeiro que ficou conhecido a “Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas” e também como “Eco 92”. O objetivo desse evento foi o de discutir alternativas para combinar o desenvolvimento econômico com a proteção efetiva dos recursos naturais e do meio ambiente e partir de então diversos outros encontros internacionais ocorreram com intuito de abordar questões que relacionassem as trocas comerciais internacionais, o meio ambiente e o desenvolvimento das nações (ONU, 1993). A partir desta nova percepção, muitos setores foram pressionados a mudar métodos e processos tradicionais de produção para se adequar às novas demandas da sociedade por produtos ambientalmente saudáveis que, em muitos casos, passaram a representar o principal segmento de vendas de inúmeras empresas cujos esforços de marketing e comercialização, convergiam para alcançar os cada vez mais numerosos "consumidores verdes". (THORSTENSEN, 2002; BRANCO, 2004). O fato que é a comunidade internacional obteve sucesso em intensificar a consciência sobre a seriedade da questão ambiental e colocar o assunto na pauta de discussões do comércio internacional (Haas et al, 1992). Outro fato positivo é que tais conferências passaram a enfatizar o vinculo existente entre a proteção do meio ambiente e o comércio internacional. Ao longo da última década, foram elaborados por meio de reuniões e conferências internacionais importantes documentos que tratam de assuntos pertinentes á geografia econômica mundial e as trocas comerciais no mundo:

· A Declaração do Rio que apresenta os princípios gerais das diretrizes que orientam países ricos e pobres com relação a questões de meio ambiente e desenvolvimento. Nesse documento, o direito das nações de utilizar-se de dos próprios recursos para o desenvolvimento social e econômico é reconhecido desde que outras áreas não sejam prejudicadas. Ainda a declaração aponta para o princípio do “poluidor pagador” de modo que os governos e as instituições são responsáveis pelos danos ambientais que venham a causar.

· Convenção sobre Mudança Climática. Este é um acordo que exige dos países industrializados que estes reduzam as emissões de dióxido de carbono e outros gases que possam agravar o efeito estufa, determina ainda que apresentem regularmente um relatório sobre seus procedimentos. Embora não haja limites específicos de emissão que tenham sido decididos no Encontro da Terra, a convenção sobre mudança climática estabelece que a emissão de gases que agravam o efeito estufa deve ser equilibrada de modo a não interferir no clima de todo o planeta Terra. Os Estados Unidos mostraram resistência em cumprir as normas de redução de gases propostas em Kyoto no ano de 1997 que estabelecia que em 2012 as emissões de dióxido de carbono deveriam ser 5,2% menores do que em 1990.

· Convenção sobre Biodiversidade

A convenção sobre a biodiversidade tem três objetivos: a proteção da diversidade biológica, o uso sustentável da biodiversidade e uma divisão equitativa dos lucros advindos de novos produtos manufaturados a partir das espécies silvestres e cultivadas. Os dois primeiros objetivos da convenção da biodiversidade são diretos. Já o último reconhece que os países em desenvolvimento deveriam receber uma compensação pelo uso das espécies que são retiradas de dentro de seus territórios. Os Estados Unidos da América por sua vez, não ratificaram essa convenção, alegando haver na deliberação, restrições a sua grande indústria biotecnológica.

· Declaração sobre os Princípios de Florestas. Foi aprovada a decisão que compreende que, um acordo internacional sobre o manejo das florestas é difícil de ser negociado, pois existem várias divergências de opinião entre os países de florestas tropicas (RAVEN, 1979) e os de florestas temperadas. O tratado final é aberto aos países e sem nenhuma recomendação especifica, apenas sugere um manejo sustentável das florestas.

· Agenda 21. Este documento possui 800 paginas e é uma tentativa de descrever de forma abrangente as políticas necessárias para um desenvolvimento sustentável do meio ambiente (ONU, 1993). A agenda 21 mostra os vínculos existentes entre o debate ambiental e outros assuntos que na maioria das vezes são tratados separadamente pela comunidade internacional tais como o comércio internacional, pobreza, transferência de tecnologia e divisão desigual de riquezas.

Esses documentos que se constituem em planos de ação visam resolver problemas da atmosfera, degradação e desertificação da terra, biopirataria, desenvolvimento agrícola e rural e, desmatamento. Todos esses assuntos relacionam-se ao comercio internacional uma vez que as trocas comerciais internacionais baseiam-se na disponibilidade de recursos naturais e infraestruturas de transportes existentes em cada país que também dependem de uma boa gestão do meio ambiente para funcionarem. Também são descritos nos documentos mecanismos legais, tecnológicos, institucionais e financeiros para colocar em pratica esses planos de ação. A maior problemática consiste em decidir como financiar as ações propostas por cada um dos planos. Implementar a Agenda 21 teria um custo extremamente alto sobretudo aos países desenvolvidos, isso implica em aumentar o comprometimento desses países com os países que ainda se encontram em desenvolvimento e pressupõe uma mudança nas relações de trocas comerciais internacionais através da reformulação de taxas e impostos, o que torna ainda mais complexa a aplicação prática das orientações desses documentos. Os principais países desenvolvidos conhecidos como G7, não estão de acordo com esses aumentos de financiamentos. O Grupo dos 7 é composto por Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Japão (Pinho, 2002). O primeiro ministro da Malásia Dr. Mahathir Bin Mohamed, expressou sinteticamente as frustrações dos países em desenvolvimento em relação ao descomprometimento financeiro das nações ricas conforme (Primack & Rodrigues, 2001 p.291):

Foi dito aos países pobres que preservassem suas florestas e outros recursos genéticos, em função da perspectiva de que no futuro alguma descoberta pudesse ser útil à humanidade. Mas agora lhes é dito que os ricos não concordarão em compensar os pobres por seus sacrifícios, argumentando que a diversidade dos genes armazenados e salvaguardados pelos pobres, não tem qualquer valor até que os ricos, pela sua inteligência superior, liberem seu potencial.

A preocupação com o ambiente se torna efetiva nas sociedades á partir do momento em que as questões ecológicas relacionam-se aos direitos sociais das pessoas. (GONÇALVES, 2012). Acontecerá neste ano de 2012 novamente na cidade do Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável conhecida como “Rio + 20” que tem como principal objetivo contribuir para a definição de uma agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. As expectativas sobre este encontro são grandes, sobretudo por parte dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Mas diante do cenário político e econômico em que se encontram as nações do mundo especialmente os países europeus, que passam por uma forte crise econômica pressupõe-se que as dificuldades históricas em se encontrar uma agenda para a sustentabilidade tendem a se manter ou até mesmo aumentar. Contudo acompanhando as mudanças espaciais na geopolítica mundial tem-se atualmente um nível de debate diferenciado dos que ocorreram nas conferências anteriores sobre a problemática da crise ambiental e o desenvolvimento econômico dos países. Pois, algumas nações como China e Brasil, entram agora no debate com forças e posições políticas completamente distintas. De uma maneira geral acredita-se que os países em desenvolvimento sentem-se mais seguros politicamente diante do desafio de requerer dos desenvolvidos suas parcelas de contribuição para a promoção da sustentabilidade mundial. É importante do ponto de vista das políticas públicas de desenvolvimento regional que a discussão do comercio internacional se faça além da dualidade economia versus meio ambiente (GONÇALVES & SILVA, 2012). Pois a complexidade das relações comerciais no que tange ao debate ambiental envolve processos e ações que remetem a necessidade de atuação diferenciada sobre diversos outros setores como transportes, ciência e tecnologia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Na geopolítica mundial apesar de todas as incertezas vigentes, sobretudo devido à crise econômica da Europa, o que se pode afirmar acerca do comercio internacional é que a atual conjuntura aponta para grandes mudanças no que se refere ao debate ambiental nas relações econômicas do planeta. Contudo as estruturas sociais que em muito influenciam e até direcionam em alguns casos, o rumo da política ambiental se mantém pouco alteradas. Com diferentes conotações e modelos a desigualdade se mantém principalmente nos países ainda em desenvolvimento. A exclusão social e a miséria continuam sendo uma das principais marcas do continente africano e de parte significativa da América Latina. De modo que mudar essa realidade pressupõe um aumento na demanda por recursos naturais e nas condições de acessibilidade a esses recursos. O comércio internacional é cada vez mais intenso e dinâmico entre as nações do mundo, no entanto o crescimento econômico continua desigual e excludente. Obtivemos taxas e índices de desenvolvimento recordes e em contrapartida os problemas sociais e as diferenças regionais no mundo aumentam gradativamente tanto na escala quantitativa quanto no nível de qualidade de vida das populações. Hoje, diante da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável a “Rio + 20”, temos de discutir novamente o paradigma de desenvolvimento a ser alcançado pela sociedade mundial. Proteger ou não a sustentabilidade do planeta diante da intensidade e dinamismo cada vez maior das relações comerciais internacionais? São diversas perspectivas opostas que apoiadas no discurso do desenvolvimento regional das nações escondem grandes contradições políticas sociais e econômicas. O agronegócio, responsável por uma parcela significativa das trocas comerciais internacionais, avança proporcionalmente ao consumismo e mesmo ao aumento da população mundial provocando intensas mudanças demográficas espaciais que acirram a migração rural ao produzir a expropriação dos povos do campo de seus territórios além do aumento da degradação ambiental. A crescente demanda na produção de alimentos força a ampliação das fronteiras agrícolas mundiais que se encontram majoritariamente concentradas em países pobres ou emergentes. Conciliar interesses econômicos distintos e produzir bem estar para um número cada vez maior de pessoas e ao mesmo tempo diminuir a degradação ambiental é um dos maiores desafios do comercio internacional a ser debatidos cada vez mais na contemporaneidade.

REFERÊNCIA:

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THORSTENSEN, V. A OMC e as Regras do Comercio Internacional. Ed. Aduaneiras, 2002.


Fonte: Revista Educação Ambiental em Ação, No. 43 - 13/03/2013.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Estratigrafia Sequencial: Qual a importância deste assunto?



As ciências ambientais no Brasil apresentam um grande problema da desconexão entre áreas que deveriam ser amplamente integradas. Isso dificulta em muitos aspectos a produção de um conhecimento mais completo em linhas de pesquisa distintas além de contribuir com a geração de informações científicas que não se complementam ou até mesmo se contradizem. Certo que a dúvida é o ponto de partida para a descoberta de novos problemas, novas questões a serem entendidas pelos pesquisadores de todas as áreas. Todavia a ausência de informações acessíveis e compreensíveis sobre determinados temas influencia em muito o conhecimento propagado pelas instituições de ensino do país seja na escola básica ou na universidade no âmbito da graduação ou da pós-graduação. Percebe-se que quanto mais o conhecimento está relacionado ás questões de desenvolvimento tecnológico maiores são as tendências de propagação de informações equivocadas. Um simples exemplo é a exploração do pré-sal, uma das maiores riquezas do Brasil e que envolve um amplo conjunto de debates técnicos, econômicos e até mesmo sociais. Nas escolas de educação básica tal questão é discutida por professores graduados em geografia que possuem pouca ou nenhuma base de conhecimento sobre a formação e exploração desse recurso natural. Desse modo compreende-se que a integração entre diferentes áreas do conhecimento é essencial para produção de um conhecimento amplo acerca dos recursos naturais do Brasil e de primordial importância para que o país possa alcançar os níveis de desenvolvimento aos quais se propõe e dos quais necessita para melhorar sua condição socioeconômica.

domingo, 17 de junho de 2012

FORMAS E USOS DAS PLANTAS DO CERRADO NA MEDICINA POPULAR EM COMUNIDADES TRADICIONAIS DO NORTE DE MINAS GERAIS


Thamyres Sabrina Gonçalves, Maria Flávia Rodrigues Starling, Érica Soares Barbosa, Leonardo Ferreira Gomes





INTRODUÇÃO: Território de tradicional ocupação indígena e afrodescendente, o Norte de Minas constituiu-se em um espaço de extraordinária sociobiodiversidade no estado de Minas Gerais. Caracterizado pela presença de importantes ecossistemas brasileiros, como o cerrado e a mata seca, a região abriga hoje populações de distintas formações etnoculturais que herdaram de seus antepassados tradicionais conhecimentos acerca do uso das plantas na medicina popular.

OBJETIVOS: Com base nestas constatações, este estudo tem o propósito de realizar um trabalho etnogeográfico á respeito das relações socioambientais e os conhecimentos tradicionais referentes ao uso da flora regional por estas comunidades.

MÉTODO: A metodologia de estudo é essencialmente a revisão bibliográfica envolvendo a observação participante e a realização de conversas informais com moradores de algumas comunidades tradicionais da região.

RESULTADOS: Os resultados encontrados mostram que os povos tradicionais do norte de Minas Gerais possuem atualmente riquíssimos conhecimentos populares sobre a agrobiodiversidade com o cultivo de espécies de usos múltiplos para a comunidade. Entretanto, o estudo mostrou também que os saberes tradicionais guardados há gerações por estes sujeitos correm sérios riscos de se perderem em meio a processos desagregadores que vem ocorrendo nas comunidades.

CONCLUSÃO: Os conhecimentos á respeito do uso das plantas na cura de doenças e outros tratamentos de saúde são de grande importância, porém, pode trazer riscos a saúde humana visto que um mesmo remédio pode trazer reações diferentes em cada organismo e as receitas populares nem sempre possuem ligação com a medicina cientifica. Portanto é preciso que as equipes de saúde que atuam nestas comunidades mobilizem-se para trabalhar com a população á respeito dos risco que a medicação inadequada pode trazer á saúde dessas pessoas orientando-os em relação ao uso dessas plantas.

CITAR A REFERÊNCIA AO USAR ESTE TRABALHO!

Disponível em:http://www.mce.unimontes.br/index.php/enfermagem/mce/paper/viewFile/12/19

sábado, 16 de junho de 2012

Carta Final do III Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra





CARTA FINAL

III CONGRESSO NACIONAL DA CPT

No clamor dos povos da terra, a memória e a resistência em defesa da vida

Neste momento em que a humanidade toda toma consciência do grito da mãe terra, nossa casa comum, a Comissão Pastoral da Terra reuniu-se em seu III Congresso Nacional, em Montes Claros, MG, de 17 a 21 de Maio de 2010, com o tema: “Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa”. Trabalhadores e trabalhadoras, a maioria deste Congresso (376), de diversas categorias – indígenas, quilombolas, ribeirinhos, posseiros, assentados, acampados entre outros – tornaram palpável a diversidade camponesa deste Brasil e sua resistência diante do processo de destruição em curso. Ao todo 760 pessoas - 440 homens e 320 mulheres - fizeram ecoar no semiárido mineiro os clamores do povo da terra. 272 agentes da CPT – entre eles quatro bispos e 51 entre padres, religiosos e religiosas e seminaristas – e 112 convidados de movimentos populares e pastorais, parceiros, puderam sentir a vida que pulsa, nas comunidades camponesas, cheia de esperança, em meio a dificuldades e frustrações. A Arquidiocese de Montes Claros, que neste ano completa seu centenário, e o Colégio São José, dos Irmãos Maristas, nos acolheram de braços abertos. O calor humano de Montes Claros contrasta com a frieza de intermináveis plantações de eucalipto e de pastagens que substituíram a rica biodiversidade do Cerrado pela monotonia do monocultivo predador na paisagem que circunda a cidade.


“Vamos lutar porque esse é o nosso lugar” (cacique Odair Borari, de Santarém – PA)

Tivemos a alegria de ouvir e conhecer muitas experiências de resistência e de luta de camponeses e camponesas de todo Brasil. Na defesa de seus territórios e de suas culturas, mostraram que é possível e necessário conviver com os diversos biomas sem destruí-los e alimentar uma relação de respeito e de fraternidade com a mãe terra e com todos os seres vivos.

Estas experiências nos fazem ver, também, a criatividade com que os camponeses e camponesas sabem responder aos desafios gerados pela crise ecológica e por um modelo de desenvolvimento que destrói os biomas de nosso País, de forma cada vez mais violenta e acelerada, concentrando terras e riquezas para poucos e matando muitas formas de vida.


“Matam até o querer” (Sabrina, 19 anos, de Montes Claros – MG)

Estas experiências, cheias de vida e de esperança, se misturam com o clamor diante do poder estarrecedor dos grandes projetos que, em nome de um equivocado crescimento, assassinam lideranças, expulsam povos tradicionais de seus territórios e degradam o meio ambiente com suas hidrelétricas, mineradoras, ferrovias, transposição de águas, irrigação intensiva, monocultivos, desmatamentos. São projetos impostos com arrogância, de cima para baixo, ludibriando a legislação agrária e ambiental. Revestem-se de um legalismo hipócrita com controle e direcionamento de audiências públicas.


“As leis nós temos que respeitar, mas as leis têm que respeitar nós” (Joaninha, 58 anos, MG)

Ouvimos a denúncia veemente de um Estado que, com uma mão dá a sua ajuda para mitigar a fome e a miséria imediatas, ou até para libertar modernos escravos, e que com a outra estimula, promove e financia este modelo perverso de crescimento que prejudica a sustentabilidade da sociedade e da própria vida.

São inúmeros os casos em que o poder judiciário se torna o braço jurídico que executa e legaliza a espoliação, despejando todo ano milhares de famílias e garantindo a impunidade de assassinos, de grileiros e de empresas que não respeitam as leis.

Ficamos indignados com a soltura, nestes mesmos dias em que realizamos nosso Congresso, de quem mandou matar Irmã Dorothy.

Veementes, também, foram as denúncias contra um legislativo inoperante e submetido aos interesses da bancada ruralista que quer mudar o código florestal para favorecer a expansão dos monocultivos, e que engaveta a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe o confisco de áreas com trabalho escravo, e a PEC que reconhece o Cerrado e a Caatinga como patrimônio nacional.

Também, com indignação, foram denunciadas as tentativas de criminalização dos movimentos do campo pelo judiciário, pelo Congresso e pelos grandes meios de comunicação. Enquanto isso o agronegócio que depreda e polui a natureza, expropria comunidades tradicionais e submete trabalhadores à escravidão, é apresentado como alavancador do progresso.


“Resistir para existir” (Zacarias,do Fundo de Pasto da Areia Grande, BA)

Ficamos entusiasmados em ouvir o testemunho corajoso da valentia de muitos companheiros e companheiras que continuam apostando na luta e na mudança. Alguns deles, ameaçados de morte, não temem continuar lutando por justiça e vida plena.

Maravilhou-nos o número de jovens presentes e a qualidade de sua participação. Eles e elas nos testemunham, com clareza, que as novas gerações acreditam que é possível vencer o individualismo mercantilista e consumista.


“Vocês precisam nos ajudar” (Augusto Justiniano de Souza, sindicalista, 55 anos, GO)

Nosso coração ficou apertado ao ouvir o grito de solidão, desamparo e abandono a que estão submetidos camponeses e camponesas em nosso País. Eles cobraram o apoio dos sindicatos, dos partidos e dos movimentos sociais que, outrora, os representavam e acompanhavam. Eles cobraram, também, o apoio firme da CNBB e sua palavra profética diante da gravidade da situação do campo.

Esta realidade e o clamor das camponesas e camponeses e dos povos tradicionais são um chamado para o discipulado e a missão da CPT, no seguimento de Jesus de Nazaré, na fidelidade aos Deus dos pobres e aos pobres da terra.



Pela força desta missão, a CPT assume:

a luta pela terra e pelos territórios, combatendo o latifúndio e o agronegócio e incorporando, na luta pela Reforma Agrária, as exigências atuais de convivência com os diversos biomas e as diversas culturas dos povos que ali vivem e resistem, buscando formar comunidades sustentáveis. Como sinal concreto, compromete-se com a realização do Plebiscito Popular para se colocar um limite à propriedade da terra a ser realizado em setembro, junto com o Grito dos Excluídos, durante a semana da Pátria.

o enfrentamento ao modelo predador do ambiente e escravizador da vida de pessoas e comunidades. Modelo assentado em monocultivos para exportação, amparado por mega-projetos impostos a toque de caixa. Emblemáticas desta resistência são as lutas contra a transposição do Rio São Francisco, contra as hidrelétricas a exemplo da de Belo Monte e de outras, propostas para a Amazônia, e o combate incansável da CPT contra o trabalho escravo.

a formação para uma espiritualidade, centrada no seguimento radical de Jesus que nos dê força para não servir a dois senhores e que testemunhe os valores do Reino.

a necessidade de contribuir com a articulação e o fortalecimento das organizações populares, do campo e da cidade, para que sejam protagonistas da construção de um novo projeto político para o Brasil que queremos, em união com os outros países da América Latina e Caribe avançando em direção a uma globalização justa e fraterna.

Ao concluir este III Congresso Nacional, a CPT renova seu compromisso profético-pastoral junto aos pobres da terra até que “o reinado sobre o mundo pertença ao nosso Senhor e ao seu Cristo e ele reinará para sempre e chegue o tempo em que serão destruídos os que destroem a terra” (Apoc. 11,15.18).

Montes Claros, 21 de maio de 2010.

Os participantes do III Congresso Nacional da CPT

domingo, 29 de janeiro de 2012

BioGeografia do Parque Florestal da Sapucaia

O Parque Florestal da Sapucaia localizado na cidade de Montes Claros-MG. Foi criado em 08 de Setembro de 1987 de acordo com a lei nº 1.648 e tem seu objetivo principal descrito no Art. 2º da mesma lei:

“O Parque da Sapucaia tem por objetivo resguardar os atributos da natureza, proteger a flora, a fauna e os recursos naturais, com fins recreativos, educacionais e científicos, assegurando o bem estar da comunidade”.

O Parque da Sapucaia está localizado na Serra do Mel (conhecida popularmente como Serra do Ibituruna) a 6 Km do centro da cidade, na região oeste.O Parque da Sapucaia é cortado por um córrego conhecido como Córrego da Sapucaia, um curso d'água intermitente que tem sua nascente distante cerca de 300 metros do limite oeste, indo desaguar no Rio Vieira, com foz na área do Rio Parque Guimarães Rosa, outra área verde dentro da área urbana de Montes Claros. O Rio Vieira é o principal rio da cidade sendo afluente do Rio Verde Grande – Bacia do São Francisco. Possui formações rochosas de calcário, com presença de grandes formações rochosas com altitudes variando entre 690 a 872m. Por se tratar de relevo cárstico, no Parque verifica-se a presença de pequenas cavidades, entre cavernas e abrigos, que apesar da pequena extensão tem um papel fundamental no ciclo de vida de diversos animais, desde insetos até mamíferos como o “mocó” (Kerodon rupestris) várias espécies de morcegos e aves como os urubus – Coragyps atratus e a coruja Suindara – Tyto alba, que podem ser observado nos paredões da área.
Atualmente encontra-se em processo de revitalização, uma vez que já possui projeto aprovado junto ao Ministério do Turismo, em parceria com a Faculdade Pitágoras.. Este parque florestal abriga uma grande e linda floresta estacional decidual. No dia 28 de janeiro de 2012 coloquei em prática a idéia de conhecer melhor este parque e irei postar aqui no meu blog as imagens e observações á respeito da biogeografia deste parque. Todas as fotos e informaçõs bem como opiniões expressadas aqui são de minha própria autoria. Espero que minhas pesquisas no Parque Florestal da Sapucaia possam contribuir para um melhor conhecimento da riqueza ecológica existente no lugar e possam também chamar atenção para a necessidade de valorizar melhor esse patrimônio tão importante para a cidade de Montes Claros, tanto no sentido de políticas públicas quanto de manejo ambiental e desejo sobretudo despertar nos pesquisadores existentes na região (que não são poucos) em estudar melhor o Parque Sapucaia. Antes de mais nada quero parabenizar aqueles que deram suas contribuições ao parque seja no incentivo e criação, manutenção e principalmente aos pesquisadores que divulgaram o parque á comunidade científica.
De acordo com o que foi possível perceber o Parque Sapucaia como é conhecido encontra-se atualmente quase que abandonado pelo poder público. Como é um parque municipal a responsabilidade administrativa pelo parque sapucaia é da prefeitura municipal de Montes Claros porém o Sapucaia recebe incentivo financeiro do Ministério do Turismo.
O Parque Sapucaia apesar de aparentemente não receber muita atenção da prefeitura local é bastante visitado. Entretanto estas visitações ao parque parecem não fazer muito bem ao ambiente sobretudo pela aparente falta de conciencia ecológica dos visitantes pois é grande a poluição no parque. Apesar de o parque ser muito visitado ele certamente é pouco estudado pois é bem pequeno o número de publicações científicas sobre o parque aqui estão alguns exemplos:

http://redalyc.uaemex.mx/pdf/744/74413302.pdf

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/recursos/Mata_Seca_MGID-89tGHUmQEr.pdf

Composição da avifauna do Parque da Sapucaia [manuscrito] / 2001 - ( TCC - Graduação ) - Acervo 28210. SILVA, Renata Santana da. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS.

Caminhadas no Parque: um Projeto de Educação Ambiental para o Parque Municipal da Sapucaia - Montes Claros/MG. Ronaldo Alves Belém. Monografia apresentada como atividade do curso de Pós-graduação em Geografia, ensino e meio ambiente da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES, pré – requisito à obtenção do título e formação de Pós-Graduado em Geografia, sob a orientação da Professora Maria Ivete Soares de Almeida.

Logo ao entrar no parque têm-se uma vista linda das espécies arbóreas, representadas majoritariamente por anjicos e aroeiras. Um fato importante no parque foi a constatação de que há nele poucas placas de orientação ecológica como as que exisem no zoológico municipal da cidade. Ou seja não existe no parque um trabalho mínimo que seja de educação ambiental. O que não explica nem justifica mas contribui de certa forma com a degradação ambiental que ocorre no parque por causa da sujeira deixada pelos visitantes.

A foto acima por exemplo mostra uma pequenina parte da poluição existente no parque. Este ambiente tão lindo que representa uma enorme riqueza biológica e biogeográfica para alguns singinica apenas um belo lugar para fumar um baseado. Nada contra o baseado obviamente e sim contra a falta de cinciencia da galera que deixa sobre a maravilhosa vegetação da floresta tropical seca as garrafas de vodka que bebem, sacolas plásticas, embalagens e ainda são capazes de cometer a insanidade de fazerem fogueiras no parque o coloca em risco toda a vegetação caso o fogo se espalhe por um pequeno descuido que é absolutamente provavel. Porém criticá-los não irá educá-los portanto uma alternativa importante seria investir na criação de projetos de educação ambiental no parque.
A vegetação do Sapucaia se torna mais instigante a cada passo dentro do parque, pois é possível encontrar dentro da floresta diferentes estágios sucessionais e dentro deles uma variedade de espécies tanto herbáceas quanto arbóreas e arbustivas. Uma observação que fiz é que as flores no período de janeiro, época em que a floresta ainda possui quase toda sua cobertura foliar, são geralmente pequeninas, pois não encontrei muitas flores grandes, a maioria eram pequenas e bastantes coloridas, de cores fortes. Obviamente a coloração das flores não se dá ao acaso, como tudo na natureza existe um mecanismo condicionante, gostaria de entendê-lo, porém meus conhecimentos ainda não me permitem isso.
Na minha primeira visita aquele paraíso ecológico veja só o que eu encontrei: um lindo cacto e para quem não sabe as história da evolução natural dos cactos pode em muito contribuir para que possamos melhor compreender a nossa história geológica pois o cacto é uma planta muito antiga e que passou por vários processos de adaptação. São plantas lindas embora poucos valorizadas por não serem consideradas plantas "bonitas" mas na verdade os cactos são tão lindos quanto as orquídeas. Essa planta não pareciam estar bem dispersadas pelo parque pois somente foi encontrado um indivíduo da espécie durante o primeiro trabalho de campo realizado em janeiro de 2012.

Agora vamos falar de outra maravilha das matas secas que eu inclusive já fiz uma postagem exclusivamente para eles. São os cipós, plantinhas complexas, certamente difíceis de se estudar e identificar mas que dão um toque a mais de beleza a paisagem da floresta tropical seca e no parque sapucaia não é diferente. São emaranhados de vida que me intrigam a cada floresta tropicas seca (FTS) que eu conheço. Olhando rapidamente parecem ser todos iguais, mas não são, cada indivíduo possui sua singularidade seu modo de vida sua ecologia. Além do mais se olhas atentamente para os cipós veremos que eles possuem caules, tamanhos e folhas diferentes uns dos outros. Vou estudar melhor os cipós lá do parque e postarei depois minhas observações.
Outra grande beleza do parque e que merece mais atenção dos pesquisadores é o conjunto rochoso presente no local. São rochas maravilhosas em algumas partes completamente cobertas de lodo, que segundo algumad pesquisas é de suma importancia para o desenvolvimento das plantas pois pode fornecer muitos nutrientes, justamente nas porções das rochas onde existe grande quantidade de lodo existe também uma grande diversidade de espécies vegetais.
Como o Parque é um parque municipal, venho ressaltar a necessidade e a responsabilidade do poder público municipal implantar nele projetos de educação ambiental, afinal é um grande patrimônio natural e suas riquezas são praticamente desconhecidas, na minha opinião umas das causas do descaso da prefeitura com o Parque Sapucaia é a omissão das pessoas, se ninguém questiona, o parque funciona. Temos em Montes Claros vários segmentos sociais e acadêmicos que possuem capacidade de cobrar da prefeitura que o parque passe a funcionar e no entanto ninguém faz isso, temos na cidade um movimento ambiental chamado SOS SAPUCAIA que apesar de fazerem um trabalho interessante, fazem muito pouco (na verdade eu penso que nada) a respeito da atual situação do parque, temos cursos de: geografia, engenharia ambiental,florestal, agronomia, gestão ambiental, biologia e ninguém faz mobilização nenhuma, (incluindo minha própria pessoa que pretende suprir essa falha com essa postagem no blog que não deixa de ser uma pequena ação).
Pessoalmente não sou muito a favor de turismo ecológico, pois são muito grande os seus impactos ambientais, mas como professora sou obrigada a reconhecer que as pessoas não terão intuito de preservar caso elas não passem a conhecer, a importância desse ambiente. O parque possui várias e enormes trilhas, um teleférico que não funciona, um ambiente muito propicio para a pratica de esportes radicais na natureza como escalada.
O conjunto rochoso do parque tbém precisa ser um pouco mais estudado.
Andei fotografando lindas flores no parque aqui estão(fotos tiradas em fevereiro):

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cipós ou lianas?


Cipós ou lianas? Seja qual for o nome, as mais longas plantas lenhosas das matas tropicais tanto garantem o sustento de animais como produzem os venenos que facilitam sua captura, guardando substâncias de grande interesse para o homem

No Brasil há quem faça diferença entre cipós e lianas, atribuindo o primeiro nome a plantas que parecem pender das copas das árvores e o segundo a trepadeiras e plantas parasitas mais comuns em florestas secundárias ou degradadas. Para os botânicos, no entanto, cipós e lianas são a mesma coisa: plantas sarmentosas (com ramos semelhantes aos da videira, gavinhas), de hastes delgadas e flexíveis, típicas de matas tropicais, que não roubam nutrientes de outras plantas, mas as usam como suporte.

Ou seja, essa ampla categoria de plantas é melhor definida pela forma de crescimento do que pelas famílias e gêneros a que pertencem. E inclui tanto os cipós do tipo ‘Tarzan’ como as jitiranas e mata-paus.


Cipó é uma palavra indígena tupiguarani, cuja pronúncia original era iça-pó ou, literalmente, a mão do galho. Liana é uma designação internacional, usada tanto entre os botânicos de língua latina como os anglo-saxões. Vem do francês antigo lier, por sua vez derivado do latim ligare (ligar), numa alusão à conexão feita por esse tipo de planta entre o solo e a copa.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pé de Cerrado

Vai pedindo a força
Chamando a luz
Vai com a energia
Que nos conduz
Agradece ao Pai
Pelo momento
Siga na vida
Agradecendo
Vai pra dentro da mata
E clame a Mãe Divina
Corra pra nascente
Beba água cristalina

Vai cantando essa ciranda com seu coração
Plantando sementes de amor na imensidão

Sinta o poder
Que a cultura traz
Vamos todos juntos
Clamar a paz
Reverencie ao sol
Cante pras ondas do mar
Toque para irmã lua
E deixe a fogueira queimar
Na união das nossas mãos
Com calor e com pureza
Dancem feito os nossos índios
Adorando a natureza

Vai cantando essa ciranda com seu coração
Plantando sementes de amor na imensidão

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Universidade Estadual de Montes Claros já conta com estação meteorológica eletrônica


A Universidade Estadual de Montes Claros passa a contar com mais recursos tecnológicos para o incremento dos estudos acadêmicos e pesquisas nas áreas de clima e meio ambiente. Está em funcionamento no campus-sede uma estação meteorológica eletrônica, também chamada de Plataforma de Coleta de Dados (PCD), que oferece informações precisas sobre a previsão do tempo e outros estudos climáticos.

O equipamento foi instalado a partir do convênio firmado entre a universidade e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Todos os dados são enviados via satélite para o Sistema Nacional de Dados Ambientais (Sinda) a cada três horas, mas os intervalos de medição podem ser ajustados – mais curtos ou longos. O PCD possui painéis e baterias para o funcionamento auto-sustentável por energia solar.

“Este novo recurso já possibilita o desenvolvimento de pesquisas com maior propriedade, uma vez que teremos acesso à uma base maior de dados”, explica o professor Expedito José Ferreira, do departamento de Geociências e coordenador da estação meteorológica. “No que se refere ao sistema de coleta de informações meteorológicas, a Unimontes agora está muito bem servida”, completou.

SERVIÇOS




As duas estações meteorológicas do campus-sede estão localizadas em área isolada
A Unimontes já possuía uma estação meteorológica, mas com leitura manual e com restrição no número de dados. O novo serviço, por sua vez, instalado no mesmo espaço, é todo automatizado e oferece pelo menos dez informações diferentes sobre o tempo: temperatura – mínima e máxima -, umidade – interna e relativa do ar -, velocidade do vento, radiação solar – global e acumulada -, pressão barométrica, direção do vento e precipitação acumulada.

“Pelo grau de complexidade das informações, de maneira instantânea, a Unimontes passa a contar com mais subsídios para os estudos vinculados aos cursos de Geografia, Agronomia e Biologia, mas, também, no atendimento a outros segmentos da comunidade, como a engenharia, manejo dos recursos hídricos e gerenciamento da irrigação”, completou o professor Expedito Ferreira, que ministra as disciplinas de Hidrografia e Climatologia no curso de Geografia.

APRENDIZADO

Também docente do curso de Geografia nas áreas de Climatologia, Planejamento e Geomorfologia Ambiental, Renan Laughton Milo é coordenador auxiliar da estação. Ele lembra que o novo serviço da Unimontes está vinculado ao portal eletrônico do Sinda, o que permite a oferta das informações a qualquer momento e em tempo real para a comunidade em geral - e de forma gratuita.

A medição manual continuará como forma de comparação e aprendizagem na leitura dos dados
O professor explica que à antiga estação do campus-sede, com a leitura manual dos dados meteorológicos, continuará sendo usada, inclusive, para efeito de comparação com os dados do PCD. “Além do aprendizado para os acadêmicos, a leitura manual servirá de parâmetro entre os dois métodos de medição”.

Na avaliação do pesquisador, a maior precisão com os dados coletados eletronicamente, em intervalos a cada três horas, ampliará o campo de estudos. “Além de atender à própria climatologia e hidrografia, os dados instantâneos servirão como base para pesquisas consequentes e mais amplas, integradas, por exemplo, ao poder de impermeabilização do solo ou mesmo à Geografia Médica, que estuda as causas e incidências das doenças relacionadas à ocupação indevida das áreas urbanas”, acrescentou Renan Milo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

X Mostra de Teatro de Montes Claros

A cidade de Montes Claros mais uma vez será literalmente palco de uma das mais belas expressões de arte do ser humano, uma mostra de TEATRO. Montes Claros que já se destaca na poesia através do PSIU POÉTICO tem ganhado também uma tradição na mostra de teatro que já está na sua décima edição. O que prova que os sertanejos gostam de apreciar a arte. Na mostra de teatro da cidade costumam ser apresentadas peças teatrais com os mais variados temas que são direcionados a diversos tipos de públicos. E É UM TEATRO DE MUITO BOA QUALIDADE, pricipalmente se considerarmos as dificuldades e a falta de recursos que os artistas da cidade encontram para produzí-los.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Perguntas de um operário que lê

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sem ciência não dá


Se você acompanha a discussão em torno da revisão do Código Florestal, já deve ter ouvido o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), autor de uma proposta que desfragmenta a lei ambiental, dizer uma pá de vezes que ele considerou a opinião de todo mundo para construir seu texto – inclusive os cientistas. Nós já perdemos a conta.

Pois hoje os principais cientistas do país, representados pelas maiores e mais conceituadas organizações da área, a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências), desmentiram o Aldo publicamente.

Em uma coletiva de imprensa, em Brasília, eles divulgaram sua avaliação oficial sobre a proposta que Aldo e seus amigos ruralistas querem tratorar no Congresso. É o resultado de meses de trabalho das duas organizações, com a avaliação do que mais moderno a ciência produziu nessa área.

Para começo de conversa, dizem que é a primeira vez que os cientistas não foram ouvidos numa formulação ou revisão do código – que foi publicado pela primeira vez na década de 1930, veja bem. Aliás, eles esperaram o convite que deveria ter sido feito por Aldo no ano passado, quando era relator da comissão que discutia a reforma da lei, sem sucesso. E, por isso, resolveram fazer o trabalho por si.

A SBPC e a ABC também afirmam que dois anos seriam necessários para de fato se construir um texto de peso, que seja benéfico para o Brasil produzir e preservar ao mesmo tempo. “Se a lei hoje não é consensual, qual o sentido de trocar por outra sem consenso – e, pior, sem ciência?”, disse o pesquisador-sênior Antonio Nobre, coordenador do trabalho. Sem meias-palavras, pedem para que a votação prometida para o próximo mês na Câmara não aconteça.

Agora os fazem uma via-crúcis no Congresso e nos ministérios para entregar o material, inclusive para Aldo!!!